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Mosaico da luta queniana

quarta-feira 24 de janeiro de 2007, por Frineia Rezende,

Silvester Mbevi é um jovem queniano voluntário em um programa de integração educacional de crianças entre três e cinco anos de idade.

Ele conta que, sem apoio do governo em relação às suas necissades básicas, as famílias não têm condições para manter os filhos estudando, pois não há escolas públicas próximas às favelas, além das existentes serem muito caras. No Quênia, apenas o ensino primário é gratuíto e nem todas as comunidades são atendidas.

Morador da Kuti Village, uma favela com cerca de 3 mil moradores, o jovem e mais quatro voluntários participam da “Foundation for Orphaned Children (FOC)”, atendendo cerca de 150 crianças órfãs.

Segundo Silvester, a fundação esta buscado recursos para comprar uma área onde uma escola possa ser construída, possibilitando à população de baixa renda acesso ao ensino primário e secundário, pelo menos. Por enquanto, as aulas são dadas para as crianças numa única sala, entre 8h da manhã e 3h da tarde. Graças a dois professores, Grace e o próprio Silvestre, as crianças podem aprender Swahili, Inglês, Matemática e Artes.

Um povo que é símbolo do Quênia

Ativista que representa o povo Maasai, Amos Ledaa Olpempaka, briga pelo reconhecimento de sua etnia que, segundo ela, é desprezada pelo Governo Queniano.

Amos conta que apesar dos Maasai serem representativos numericamente e o marketing turístico se valer de suas imagens para atrair estrangeiros inspirados pelo cinema, a realidade de sua tribo é bem diferente daquela mostrada na mídia.

Segundo ela, nomes de cidades, músicas e pratos típicos comuns no Quênia têm origem Maasai. Mas, mesmo assim, a etnia menos reconhecida no país é justamente essa.

Amos resalta ainda que as tradições Maasai estão se perdendo, justamente em função da falta de apoio do Governo e pelo fato de, entre 1904 e 1911, os Massai terem sido forçados a se deslocar para as áreas mais remotas do País.

Um dos desbobramentos desse deslocamento foi a perda da identidade por muitos que preferiram viver nas grandes cidades, se afastando de seus costumes e tradições.

Luta das mulheres

Coordenadora de uma organização de Samburu, a “Samburu District Woman Iniciative for Development (Iniciativa de Mulheres do Distrito de Samburu para o Desenvolvimento)” Loise Ton On luta pelos direitos da mulher e da criança.

Loise conta que as crinças quenianas não têm acesso à educação, já que as escolas públicas secundárias são, na verdade, pagas.

Ela conta também que uma de suas bandeiras é o direito da mulher escolher seu companheiro. Atualmente, nas vilas mais remotas, ainda é comum encontrar casos de meninas com 10 anos de idade que são obrigadas a se afastarem de suas famílias para se casarem.

Para Loise, outro problema que merece atenção e um cuidado especial é a questão ambiental. Sem chuva, o solo não suporta o crescimento de vegetais que poderiam ser utilizados para a subsistência. Assim, as mulheres são obrigadas a trabalhar e se deslocar por até 900 Km para tentar vender o artesanato que produzem.

As histórias de Silvestre, Amos e Loise fazem parte de uma realidade comum no Quênia. Porém, o povo queniano se mostra forte e consciente de seus direitos e da necessidade de lutar por eles, de forma latente e pacífica.