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Nairobi: a cidade dos caminhantes

terça-feira 23 de janeiro de 2007, por ,

Ao chegar em Nairobi, capital do Quênia, uma das primeiras situações que nos chamou a atenção foi a enorme quantidade de quenianos e quenianas que caminhavam de um lado para o outro. Até pareciam não ter um destino. Caminhavam, caminhavam, caminhavam. Talvez o exercício contribua com os corpos esguios desse povo tão belo. Outro detalhe também mexeu com duas brasileiras curiosas entre uma cena e outra: as roupas. Calça social, camisas e vestidos longos, sapatos e turbantes sob um sol escaldante de 35o. Como aguentam esse calor desse jeito, comentávamos! Aparentemente sem incômodo, vimos dois ou três homens cortando grama vestidos bem arrumadinhos como se fossem à igreja. Aliás, é o que não falta por aqui. Há muitos cristãos - evangélicos e católicos. A diversidade nos encantava a cada 200 metros.

Com muitas pessoas, muitos carros, terra vermelha e clima seco, a poeira é presença constante na paisagem da cidade. De fato, as primeiras cenas testemunhadas foram da falta de infra-estrutura. Mais adentro, casarões e jardins exuberantes. A desigualdade social também não poupou Nairobi.

Tínhamos a sensação que os quenianos e as quenianas não sabiam o que estava acontecendo ali, tampouco o que significava Fórum Social Mundial. Mantinham seu ritmo: caminhando, caminhando... Homens e mulheres andam, correm, caminham. Assim é Nairobi: Uma cidade em movimento sempre. Do ponto de vista de quem acabava de chegar, o trânsito era caótico, “um defenda-se quem puder”, se puder. Os pedestres não são prioridade. Se prioridade existe é para os motores. Vários motores, antigos e modernos.

A cidade tem sua própria cara, pobreza e riqueza representados por casas simples e outras, exuberantes. Porém, são visíveis as marcas da globalização nefasta, do neoliberalismo, da desigualdade social, das diferentes formas de violência, da ausência de bem-estar, da carência de serviços básicos à população que tem menos dinheiro. Assim como muitas outras nações, as africanas, as indianas, as asiáticas, as latino-americanas, o Quênia está na lista dos esquecidos da terra. Mas os quenianos e quenianas são o que são, apesar de tudo: altivos, alegres, brejeros e hospitaleiros.