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“Não vamos esquecer do seguinte: somos a resistência” - Karol Conka – R2C

terça-feira 10 de abril de 2018, por Creuza Gravina,

O Rio Content Market, tradicional evento de audiovisual, cresceu, incorporando música e inovação, passando a se chamar Rio2C. Ao todo foram seis dias com painéis, lançamentos e temas diversos. A importância da representatividade da mulher além de grupos específicos, pôde ser percebida em vários momentos.

Com essa frase a cantora revelação encerrou sua participação no último dia do Rio2C, evento que tomou conta da Cidade das Artes na última semana e contou com uma série de palestras e atividades.

O evento teve início na terça-feira dia 3 de abril de 2018, ocupando quatro andares do espaço na Barra da Tijuca. O show de Iza, cantora revelação de 2017, marcou a cerimônia de abertura.

Sucesso de público e entre as marcas, Karol Conka foi a entrevistada da palestra “O artista como marca”, onde falou de estratégias, de como atrair audiência e fazer associações e parcerias.

Na quarta-feira, a palestra “Jornalismo e DOC VR” contou com a participação de Zahra Rasool, editora chefe da Al Jazeera Digital, além de Tadeu Jungle da Academia de Filmes e Jungle Bee. Zahra falou de sua equipe formada por cinco mulheres e somente um homem. Os produtores de documentários 360º falaram sobre a capacidade da realidade virtual de criar memórias presenciais, entre outros. Os filmes puderam ser vistos pelo público na chamada XR Arcade que compreendia domos (espécie de cúpula) e salas com óculos especiais.

Na apresentação sobre Branded Entertainment Renata Brandão, da Conspiração Filmes falou sobre o documentário "Duas mulheres. Duas vidas. Uma luta" com Elza Soares e Rafaela Silva e do núcleo de mulheres e plataforma Hysteria, com conteúdo feito por e para mulheres, que conta com uma rede de colaboradoras, artistas e outras.

No fim da tarde,o painel “Making Money Beyond Music” contou com a cantora Preta Gil, que falou das dificuldades no início da carreira, dos primeiros shows com público pequeno, até a criação do seu bloco, que hoje atrai multidões, e de como foi o processo para firmar sua marca, sempre buscando passar a verdade.

A quinta-feira foi marcada pela forte presença feminina. Na parte da manhã a palestra “A Arte da Direção” reuniu um time de peso do audiovisual brasileiro, com as diretoras Amora Mautner, Carolina Jabor, Flávia Lacerda, Laís Bodansky e Sandra Kogut. A única representação masculina no palco era do mediador, o diretor argentino Eduardo Milewicz.

Laís Bodanky ressaltou a importância desse time feminino no debate: “Eu sempre tive orgulho de fazer cinema, mas agora tenho mais orgulho ainda de ser mulher fazendo cinema e estar nesse palco que eu acho que é um palco muito forte”, levando o público presente a aplaudir fortemente.

Caroline Jabor disse que as pessoas costumam lhe perguntar por que não tem tanta mulher no cinema e deu seu conselho: “Não tem que ter medo, não tem que se intimidar por sentimento de machismo”.

Flávia Lacerda, visivelmente emocionada, falou da importância do trabalho de equipe e da total conexão com o que se quer contar: “Todas nós estamos convocadas a trabalhar com responsabilidade o que a gente coloca no ar”.

Sandra Kogut e Amora Mautner concordaram que a experiência é importante, mas falaram que a intuição e a emoção do momento contam muito. Sandra disse “A experiência vale, mas também atrapalha. Uma coisa que atrapalha muito é você achar que sabe. A coisa mais legal é aquele pulo para o desconhecido” e complementa: “Você tem que querer muito. Você não pode pensar em nenhum momento que aquilo é técnico”. Para Amora, o ideal é jogar fora tudo aquilo que você idealizou: “Chega na hora eu ignoro tudo e deixo vir as emoções do momento. Aprendi a desconstruir tudo que eu construí”.

Na tarde do dia 5 foi lançado o selo Elas da Elo Company, que consiste numa rede formada por mulheres experientes do mercado audiovisual, de áreas artísticas e executivas, que juntas colaboram em consultoria de longa-metragens com direção feminina, buscando potencializar resultados e fomentar o equilíbrio de filmes realizados por mulheres. O programa, idealizado por Bárbara Sturm e Carole Moser, conta inicialmente com seis longas de ficção e três documentários. Entre as primeiras voluntárias para consultoria está a atriz Camila Pitanga.

Ainda na quinta-feira, Liana Brazil, Diretora de Criação da Super Uber e curadora do Rio2C,, apresentou um debate aberto na Arena da Ciência (espaço usado para os pitchings de música) sobre inovação e impactos em diferentes setores, abrindo para o público fazer sugestões para a próxima edição.

No sábado dia 7 de abril, foi a vez de Débora Bloch falar da força de sua personagem, Rosinete, na apresentação da nova série “Onde Nascem os Fortes: A Terra, o Céu e o Coração em Movimento”. Rosinete está sempre rezando pelo casamento, pelo filho, mas ao mesmo tempo numa tentativa de se libertar dessas coisas. "Ela corre rezando, em busca de alguma coisa que deseja...uma mulher que vive pela família mas que ao mesmo tempo tem esse desejo que vai se revelar... não vou dar spoiler”, brinca.

Domingo, o Canal Brasil apresentou o filme “Berenice Procura”, com produção de Elisa Tolomelli e direção de Allan Fiterman. Berenice, interpretada por Claudia Abreu,, é uma mulher dedicada à sua profissão de taxista, que tem interesse em casos policiais e decide investigar um crime. Um filme forte de suspense, que prendeu a atenção dos espectadores. Participaram do bate-papo a atriz Danúbia Firmo e os atores Du Moscovis, Leonardo Brício, Caio Manhente, Alessandro Brandão, e Arlindo Lopes.


Foto Divulgação

No palco do Festivália, que aconteceu no fim de semana, a presença feminina também foi marcante, com nomes como Tulipa Ruiz, Salma Jô (Carne Doce) e muitas outras, integrantes de bandas e da nova cena pernambucana.

Depois da semana com tantas mulheres de peso, diferentes raças e características próprias, os versos da canção “Tô na Luta” que Karol Conka cantou no último show do festival, pareceram perfeitos para sintetizar tudo que foi dito:

“Se é pra vencer deixa quem sabe fazer
Eu tô na luta, sou mulher
Posso ser o que eu quiser
Se é pra vencer deixa quem sabe fazer
Eu tô na luta, sou mulher
Posso ser o que eu quiser
O que eu quiser”

https://www.youtube.com/watch?v=PF8RnYu72U4

Fotos Creuza Gravina

Creuza Gravina


Para saber mais detalhes sobre o Rio2C: http://www.ciranda.net/Tudo-junto-e-misturado-tudo

Para participar do projeto Elas, enviando filme ou como voluntária, escrever mail para os contatos abaixo:
Bárbara Sturm - barbara@elocompany.com
Carole Moser – projetos@elocompany.com

Entrevista com Bárbara Sturm sobre o selo Elas:
http://www.ciranda.net/Selo-Elas-lancado-no-Rio2C-tem-o

Plataforma Hysteria: https://hysteria.etc.br/

Documentário "Duas mulheres. Duas vidas. Uma luta" com Elza Soares e Rafaela Silva: https://www.youtube.com/watch?v=ajCIo8keAIc