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Protesto

Homem planta árvore para pedir compensação ambiental ao Amapá

Ele chamou a atenção durante encerramento da Cúpula dos Povos

sexta-feira 6 de julho de 2012, por Deborah Moreira,

Plantar uma muda de Ipê Amarelo, no Aterro do Flamengo, bem em frente ao palco onde acontecia o encerramento da Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro, em 22 de junho. Essa foi a forma de protesto encontrada pelo gerente de uma unidade de conservação do Amapá, Mamede Leal Siqueira, 56 anos.

Ativista ambiental, seu gesto silencioso e solitário chamou a atenção dos presentes para o que acontece no estado: 25 mil agricultores e extrativistas deixaram suas terras para dar lugar ao maior parque de floresta tropical do mundo: o Parque Nacional Montanhas do Tucumaque.

Enquanto discursos e informes eram feitos durante a cerimônia de encerramento do encontro, Mamede demonstrava que, além de cada um poder fazer a sua parte pela preservação ambiental, também é preciso de recursos para se plantar. Para cavar, ele usou uma pá. Mas no Amapá, será preciso muito mais que isso.

“Sou do Movimento Verde Vivo, estamos reivindicando aqui porque foi criado o maior parque de floreta tropical, no estado do Amapá, com 3 milhões e 800 mil hectares, e o governo retirou terras de 10 municípios, onde milhares de agricultores e extrativistas precisaram deixar suas casas”, declarou o ambientalista, segurando a bandeira do estado.

Eles aguardam providências do governo federal para o desenvolvimento local da região e manutenção da renda dessas famílias. O setor produtivo, segundo ele, está parado. Esse é um exemplo de que é preciso levar em conta o tripé da sustentabilidade ambiental, social e econômica.

“Esse é um recado para o senador [José] Sarney, que é presidente do Congresso [e senador pelo Amapá], e que não faz nada pelo Amapá. Estamos clamando que ele devolva as compensações ambientais que devem ao Amapá”, exclamou Mamede, que é nascido em Vigia de Nazaré, uma das cidades mais antigas do Pará, e se orgulha em ser filho de pescador.

O Montanhas do Tumucumaque se tornou uma unidade de conservação a partir de um decreto do então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2002, e se tornou o carro-chefe do Brasil na proteção de biodiversidade, mas segundo o ambientalista, as comunidades locais que tiveram que deixar suas casas nunca foram consultadas. Somando a área do parque aos 4,4 milhões de hectares destinados a reservas indígenas, outros parques, reservas biológicas e estações ecológicas, somam 58% de seu território. São áreas protegidas por lei onde é proibido desmatar, pescar e caçar.

O Amapá, como outros estados e municípios que tiveram seus territórios preservados para preservação ambiental ou criação de reservas indígenas, afirmam que devem receber compensações. Uma forma de compensação é a doação de terras da União ao estado, o que vem ocorrendo, porém, lentamente.

Em 19 de junho, durante a Rio+20, o governo estadual assinou um Termo de Cooperação Técnica com a investidora Permian Global - Fundo de Investimento Inglês, que atua no mercado de crédito de carbono e apoia iniciativas associadas com a conservação da biodiversidade. O objetivo, segundo o governo, é gerar oportunidades para as comunidades abrangidas na área da Floresta Estadual do Amapá (Flota) - que inclui os dez municípios amapaenses que abrigam a unidade de conservação como ações de valorização do conhecimento tradicional, educação ambiental e construção de unidades de saúde e estrutura urbana projetada.

O parque

O Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque abriga as nascentes de todos os principais rios do Amapá, como o Oiapoque, o Jari e o Araguari. A foz do rio Oiapoque é o ponto extremo do Brasil e faz a fronteira com a Guiana Francesa. O rio Jari faz a divisa entre os estados do Pará e do Amapá.

Sua extensão abrange parte dos municípios de Oiapoque, Calçoene, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio e Laranjal do Jari; além de uma pequena porção do município de Almeirim, no Estado do Pará.