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Escracho popular reúne quase 2 mil pessoas para pedir punição a militar

quarta-feira 20 de junho de 2012, por Alessandra Goes Alves,

Cerca de 1800 pessoas, dentre estudantes, integrantes do movimento Levante Popular da Juventude, Tortura Nunca Mais e Via Campesina, se reuniram em frente à residência de Dulene Aleixo Garcez dos Reis, capitão da Infantaria do Exército em 1970

"Se a ditadura já acabou, quero saber o militar que torturou". Esse
foi o espírito do escracho popular ocorrido na manhã de hoje, no
bairro da Urca, no Rio de Janeiro. Cerca de 1800 pessoas, dentre
estudantes, integrantes do movimento Levante Popular da Juventude,
Tortura Nunca Mais e Via Campesina, se reuniram em frente à residência de Dulene Aleixo Garcez dos Reis, capitão da Infantaria do Exército em 1970, quando teria participado da tortura de Mário Alves, jornalista e secretário geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR).

Saídos da Avenida Pasteur, na entrada da Unirio, os manifestantes
seguiram até o número 96 da Avenida Lauro Muller, onde colocaram uma faixa que dizia "Aqui mora um torturador". Pouco antes da chegada ao local, que já se encontrava isolado por guardas municipais e policiais militares do Batalhão de Choque, foram distribuídos panfletos com o dossiê do suposto torturador. " Esse e apenas mais um. Vamos continuar denunciando os torturadores e lutando pela justiça até que sejam todos eles julgados. Não temeremos isso, pois quem deve ter medo da verdade são os assassinos dos nossos heróis, assassinos da nossa história. E enquanto não há justiça, há escracho", dizia o panfleto distribuído
pelo movimento Levante Popular da Juventude. Os manifestantes também carregavam cartazes com nomes e fotos de mortos e desaparecidos durante a ditadura militar.

Segundo Carolina Dias, integrante do Levante Popular, o intuito dos
escrachos é resgatar a memória e pedir Justiça: "Queremos mostrar que essa luta não é só dos militantes e suas famílias. Quando a sociedade brasileira se apropriar desse debate, não vai ter mais como esconder os nomes dos torturadores". Para ela, a criação de uma Comissão Nacional da Verdade no Brasil se deu a partir de ação popular. "Se trata de uma manifestação pacífica, queremos o embate pelas idéias".

Paulistano de 55 anos da cidade de Ribeirão Preto (SP), Clóvis Seabra
se lembra do obscurantismo da época da ditadura militar: "Foi um tempo obscuro, de repressão não só política mas também social. Tivemos nossos direitos constitucionais suprimidos". Para Seabra, um povo
reprimido e acuado politicamente seria um legado da época da ditadura militar. "Houve um esvaziamento do espaço público, mas, pouco a pouco, estamos resgatando esse espaço. Quem constrói a democracia somos nós".

Raul Amorim, do Coletivo Nacional da Juventude da Via Campesina, o
assunto mobiliza toda sociedade "Essa é uma questão que foi apagada da memória da nova geração. Se trata de uma articulação da juventude, seja ela da periferia, do campo ou do movimento estudantil".

"Quero saber a nossa história, quero a verdade para resgatar a memória" "Levante contra a ditadura, aos torturadores punição pela tortura" "Torturador pode esperar a sua hora vai chegar" "pois apanhar não é gostoso, vamos descriminalizar a luta do povo" "torturador, preste atenção: a juventude vai te expôr para a nação"