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Mulheres discutem próximos passos

quarta-feira 14 de julho de 2010, por Deborah Moreira,

Na segunda (12/07) foi encerrado o Fórum de Organizações Feministas para a Articulação do Movimento de Mulheres Latino-Americanas e Caribenhas. No evento, a ministra Nilcéa Freire comentou os dois casos de violência contra mulher que acabaram tendo repercussão na grande mídia. Um por se tratar de um atleta famoso e outro porque a vítima era advogada, de família rica.

“Quando surgem casos, principalmente com pessoas famosas, que chegam aos jornais, é que a sociedade efetivamente se dá conta de que aquilo acontece cotidianamente e não sai nos jornais. As mulheres são violentadas, são subjugadas cotidianamente pela desigualdade”, afirmou ao ministra no domingo, durante o fórum.

Já a representante da comissão organizadora do Fórum, Guacira César de Oliveira, ressaltou que as participantes do encontro buscam pressionar os municípios, estados e o governo federal a estabelecerem metas de combate e de redução da violência contra a mulher. "A gente quer metas que se traduzam em investimentos, recursos públicos, equipamentos, estrutura. Existem muitos compromissos vazios no sentido de que são discursos, mas não se consolidam em obrigação efetiva que mude a vida das mulheres”, enfatizou Guacira.

Começou ontem (13/07) e vai até o dia 16 a 11º Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, com o tema Que tipo de Estado? Que tipo de igualdade? O evento ocorre a cada três anos e é uma iniciativa da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Projeto brasileiro receberá US$ 3 milhões

O Fundo para Igualdade de Gênero, administrados pelo Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher – parte da ONU Mulheres) vai investir 3 milhões de dólares no projeto "Mais Direitos e Mais Poder para as Mulheres Brasileiras”, da SPM (Secretaria de Políticas para as Mulheres) e pelo consórcio de organizações feministas e de mulheres - SOS Corpo Instituto feminista para a Democracia, Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), Instituto Patrícia Galvão, Rede de Desenvolvimento Humano (REDEH), Coletivo Leila Diniz, Geledés Instituto da Mulher Negra e Cunhã Coletivo Feminista. O projeto é o único contemplado do Cone Sul.

Outros 12 projetos receberão os recursos oriundos de doações da Espanha e da Noruega. Eles foram selecionados entre 1.239 propostas enviadas por 127 países. Outros países beneficiados são: Ruanda, Libéria, Zimbábue, Egito, China, Camboja, Índia, Bósnia e Herzegovina, Quirquistão, México, Bolívia e Jamaica.

O projeto brasileiro tem como objetivo o empoderamento econômico e político das mulheres, especialmente negras e trabalhadoras domésticas, visando a igualdade racial e de gênero, proteção social e acesso das mulheres ao mercado de trabalho.

A SPM pretende, ainda, atuar na inclusão de direitos das trabalhadoras domésticas nos processos governamentais, aumentar o investimento público na participação política das mulheres e estabelecer mecanismos que monitorem o orçamento público com impacto da vida das mulheres brasileiras.

Com Agência Brasil e Unifem