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Entrevista com a senadora francesa George Pau-Langevin

terça-feira 12 de maio de 2009, por Gildean Silva Panikinho,

Panikinho : Tendo como informação que nas manifestações que ocorreram em 2005 os jovens ligados ao movimento Hip Hop foram apontados como incitadores dos conflitos. Na sua opinião, atualmente,como o governo e lideranças do Movimento Social lidam com a juventude do Hip Hop?
Estão chamando os jovens para conversar? Os jovens estão trabalhando no fomento de políticas? Aqui,no Brasil, em especial na cidade de São Paulo, temos os dois lados: a relação é duvidosa, isto é, nós, as pessoas ligadas ao HIP HOP tendem à não confiar no poder público e ao mesmo tempo, em alguns momentos há agregações e parceirias,nos diga como isso ocorre na França?

1.JUVENTUDE NEGRA, ESTADO E O HIP HOP

George Pau-Langevin: Eu não faço parte do governo, faço parte do partido socialista que é oposição ao atual governo , que é de direita. Os jovens vêm do meio popular e representam minoria (são do Magre). Os jovens não têm organização política formal. Sarcozi, em 2005, disse que tinha que eliminar os jovens, não conseguiram resolver o conflito na época. Nas periferias, o movimento que prevalece é da esquerda. Nos municípios estão dando meios para as crianças se expressarem, a poesia,por exemplo, há um personagem ABL Molink (islã) utilizado.

Hip Hop usa palavras diretas e contundentes, isso da medo a população que não esta preparada para ouvir o que os jovens tem à reivindicar e as acham uma forma de expressão muito violenta. A esquerda diz que cada vez que há movimento há expressão nas músicas e isso precisa ser usado. JOY STAR (Mc) as vezes vai para a prisão - mas fala muito com os jovens para eles serem, se tornarem cidadãos do país.

2.MULHERES NEGRAS

George Pau-Langevin: Sou francesa das Antilhas. Nas Antilhas há gravidez precoce, a mulher se torna chefe de família, vai para a França, na França ela tem emprego.
Já as mulheres do MAGRE - vão para a França com a família e não tem condição de se sustentar.
A mulher das Antilhas tem salário baixo, são faxineiras, o horário de trabalho é ruim, a condição de trabalho é ruim, há presença de gravidez precoce, as crianças crescem no meio pobre. Porém há mais acesso a contracepção, por exemplo, na escola pode solicitar pílula do dia seguinte.
Preconceito existe na França, não se vê muitas mulheres negras na TV e mulheres da África do Norte também não. Há os preconceitos clássicos: a mulher negra é sexy, babá. Na política há poucas mulheres. Há cota da diversidade. A mulher negra tem sido favorecida na cota da paridade.

3.INTERGERACIONAL

George Pau-Langevin: Na França tem muitos idosos, eles não têm muito contato com a sociedade. Nas Antilhas as pessoas que saíram tinham sonho de voltar. A maioria voltou após aposentados. Em Paris há o café social - onde os idosos do Magre se encontram. Nos anos 60 quem foi para Paris, retornou para as Antilhas e os filhos ficaram e se consideram franceses.

4.Habitação

George Pau-Langevin: A esquerda se concentrava nos bairros - trabalhavam onde as escolas e casas estavam degradadas. Abandonaram essa política, mas após 2005 tiveram que retornar a política devido ao grande problema de desemprego, principalmente com a juventude do Magre.
O governo fez proposta para darem oportunidade a esses jovens.

Fotos:Sandra Mariano
Texto: Suelma Inês Alves de Deus
Entrevista: Gildean Silva Panikinho