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Educar sem traumatizar, um desafio

sábado 15 de setembro de 2007, por Negralu,

Em pleno século 21 ainda temos uma educação pública de ensino fundamental e médio defasada, onde pagam-se muitos impostos e impostos não são convertidos em bens para a população como saúde, moradia, segurança, transporte e educação de qualidade.

Os debates do Fórum Mundial de Educação do Alto Tietê mostraram que profissionais de educação não são preparados/as para lidar com salas lotadas e um público heterogêneo de alunos, com diferentes dificuldades. Esses profissionais acabam não tendo tempo para dar atenção diferente a cada aluno e empurrando alguns para a série seguinte. Isso nas cidades onde não se pode reprovar, porque fica muito caro para o estado reprovar o aluno. Mas esse mesmo aluno ou aluna pode passar de ano aprendendo muito.

O que mais interessa

Um experiência em São Paulo, no município de Salesópolis, foi contada no FME pela professora Célia Maria de Souza Fonseca, secretária de educação. Ela falou sobre alunos com sérias dificuldades e na baixa auto-estima que isso causava neles.

Um núcleo de ajuda foi criado para amparar quem precisava mais e ela conta que a experiência foi muito boa. Professores/as foram contratados/as só para essa recuperação, como foi o caso do professor Anderson, que ficou com alguns alunos que nem sabiam o alfabeto direito.

Esse professor Anderson começou a trabalhar com coisas que as crianças mais gostavam e disse que o aprendizado foi muito rápido.
Para descobrir o que interessava mais, levava para a sala de aula, gibis, livros de histórias infantis e outros tipos de revistas. E então observou que as crianças pegavam mais os gibis, por não saberem ler, e passou a trabalhar com estas revistas em quadrinhos.

Deu certo. As crianças começaram a ler e depois a pedir revistas de outro tipo. Outras experiências feitas por professores de outros lugares foram relatadas na oficina. Por exemplo, um trabalho com percussão em São Paulo, com uma oficina que já é feita há dois anos e uma banda de percussão, a Ubatukêre, que já tem mais de um ano e meio. Os professores disseram que as crianças atendidas acabam tendo um desmpenho muito bom na escola, e em todo seu contexto social. Por aprenderem do jeito que gostam mais.

Tanto em Salesópolis e na capital de São Paulo, os alunos atendidos estavam em situação de risco.