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Reflexões sobre o processo do FSM

segunda-feira 16 de novembro de 2020, por Oded Grajew, Oded Grajew

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Há vinte anos, um relativamente pequeno grupo de pessoas e organizações conseguiu, graças a uma metodologia inovadora que se traduziu numa Carta de Princípios, viabilizar o lançamento do FSM em Porto Alegre

A primeira edição do FSM contou com a participação de aproximadamente 40mil pessoas e milhares de organizações. Em 2002 tivemos a participação de 100 mil pessoas e em 2003, de 150 mil.

Esta metodologia inovadora partiu da visão de que o protagonismo das lutas sociais é das organizações e que o papel do grupo organizador era oferecer espaço para as atividades organizadas pelas organizações e facilitar a comunicação entre elas, visando construir alianças, articulações, convergências e mobilizações para fortalecer suas lutas. E, principalmente, se engajar em AÇÕES CONCRETAS conforme estimula a Carta de Princípios.

Esta metodologia foi eficaz porque levou em conta a diversidade e a autonomia dos movimentos, sem hierarquizar nem tentar dirigir. Todos se sentiram acolhidos e respeitados. Esta metodologia, esta cultura política, se espalhou pelo mundo e gerou inúmeros fóruns temáticos e regionais e viabilizou a criação de inúmeras redes, parcerias, iniciativas, mobilizações e alianças. Cada leitora e leitor deste artigo certamente participou ou teve conhecimento das iniciativas que nasceram a partir do FSM ou dos fóruns sociais temáticos e regionais.

Estamos diante do desafio do Fórum virtual de janeiro. Embora tenhamos um desafio tecnológico (apesar de já termos tecnologias conhecidas para eventos virtuais), a tarefa de organização é muito mais fácil. Desde que mantenhamos os princípios da metodologia. Não precisamos pagar ou procurar espaços físicos. Não precisamos viabilizar salas, equipamentos, infraestrutura, tradução para as atividades solicitadas e organizadas pelas organizações. Não precisamos cuidar dos alojamentos, transporte e de passagens. Todas estas atividades sempre demandaram muito trabalho, a maioria absoluta dos esforços.

Diante desta oportunidade, um roteiro de facilitação poderia ser:

1-Definir eixos orientadores que possam dar conta da diversidade de temas. Pela transversalidade das iniciativas todos acabam se encaixando e assumindo as atividades segundo seus critérios.

2-Montar um calendário: por exemplo, primeiro dia de abertura e marcha, 3 dias de atividades auto organizadas e último dia de apresentação de convergências e assembleias construídas pelas organizações.

3-Convocar as organizações a planejar suas atividades estimulando para que construam convergências e a partir dos diagnósticos (estado do tema) e debates planejem, proponham e apresentem AÇÕES CONCRETAS conforme estimula nossa Carta de Princípios. Estas ações deverão ser colocadas numa plataforma para conhecimento de todos, para que possam incentivar adesões e ampliar a participação.

4-A partir das informações das organizações montar e divulgar amplamente a agenda do Fórum com as atividades, datas, horários e formas de participação.

5-Construir uma plataforma onde as organizações e as convergências possam colocar as ações e mobilizações planejadas e propostas para ser alimentada e atualizada durante todo o ano. Uma Plataforma de Ações Para Um Outro Mundo Possível. Seria um importante resultado do Fórum.

A auto-organização, o espaço aberto, nos permite dar conta da diversidade e a autonomia dos movimentos e organizações. Amplia enormemente as possibilidades. Facilita a organização, a expansão e o aproveitamento das possibilidades de articulação, convergências e ações. Do contrário, nos limita e é como querer enfiar um elefante dentro de uma garrafa de refrigerante. Vamos aproveitar o nosso acúmulo de conhecimentos.

A humanidade já existe há milhares de anos e já nos deu exemplos suficientes para saber o que dá certo e o que dá errado. Parece que, em geral, não aprendemos. Por exemplo, o ressurgimento atual dos movimentos fascistas, nazistas e autoritários com significativo apoio das populações. Para mim, progresso é incorporar o que deu certo e sempre procurar melhorar. Regressão é desconsiderar o passado e repetir os erros, aquilo que no passado já não deu certo.

Vamos fazer um Fórum Virtual que nos permita aproveitar experiências e conhecimentos e que aponte para uma renovação que nos possa fazer progredir.

Foto: Oded Grajew no FSM 2021. [André Carvalho/Sul21]