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Por uma pauta política de referência

sábado 22 de abril de 2006, por Thais Chita,

Na opinião de Sérgio Haddad, Diretor de Relações Internacionais da Abong (Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais), um dos grandes desafios da segunda edição do Fórum de Abril é em relação à comunicação: “Ela tem que ir no sentido da aglutinação dos atores sociais. Informar às pessoas e provocá-las para influenciar, de fato, na agenda nacional. Termos uma pauta política de referência.”

Qual o sentido do Fórum Social Brasileiro e no que, de fato, ele faz a diferença para o País? Que ação/reação ele provoca na sociedade brasileira?

O evento tem um sentido histórico porque é um espaço de aglutinação da força social da sociedade representada por meio de suas associações, movimentos, redes, sindicatos, ONGs, etc. Essa é a reação porque, mesmo que não totalmente, a discussão, os debates sobre a conjuntura política, econômica e social visam colocar em prática uma nova etapa que é a construção da esfera social. Uma esfera diferente da que vivemos atualmente. Um outro mundo é possível mesmo!

Por ser o momento em que a sociedade brasileira se expressa de maneira direta, ou seja, elege seus representantes, o contexto político do FSB deste ano tem uma importância muito relevante. O cenário é de uma conjuntura hegemonizada pelos partidos, governo, Congresso Nacional em que, no campo político, o Brasil visto, vivido, sentido, quisto e falado pelo povo tem pouca expressão. Por isso, essas mobilizações como o FSB são tão fundamentais para discutirmos nosso país. As diferenças existem, os avanços acontecem quando a sociedade está viva, discute e se organiza.

Essa mobilização pretende ter alguma influência sobre o cenário político atual? Qual?

Esperamos que tenha sim, e talvez, muito fortemente, dos pontos de vista da comunicação, no sentido da circulação da informação qualificada, e da aglutinação da sociedade em que o evento funciona como retorno de suas reivindicações, sonhos, discussões, aprendizados.

Quais desafios ainda permanecem da primeira para esta segunda edição do FSB?

Um dos grandes desafios é o da comunicação no sentido de aglutinação dos atores sociais, informá-los e provocá-los sobre os processos desses eventos, conquistas, espaços para que influenciemos e tenhamos peso, importância, visibilidade para a agenda nacional. E podemos fazer isso potencializando também a capilaridade da comunicação das instituições que integram o Fórum de Abril.

E do ponto de vista estratégico, que tenha mais condições de trazer para os fóruns outros tantos movimentos, instituições que ainda não participaram e que também são as nossas forças sociais.

A diversidade está presente sim no II FSB que acontece com bastante representatividade. Mas o que quero dizer é a cada edição ela seja maior e completa, para que consigamos criar, apresentar uma pauta política de referência para os governos, séria e comprometida a partir da aglutinação, que já vem sendo praticada, mas de forma pouco mais ampla.


A Abong está envolvida diretamente na articulação da construção desse segundo Fórum. É integrante do Comitê Organizador e das Comissões de Infra-Estrutura, de Comunicação e de Metodologia. Você diria que cumpre seu papel institucional desejado nessa mobilização?

A Abong está envolvida com a agenda dos movimentos sociais desde a primeira edição do Fórum Social Mundial e, agora, com o II Fórum Social Brasileiro, mais do que em 2003. A decisão institucional de estar à frente colaborando na coordenação do evento foi tomada porque a Associação teve uma participação bem significativa Fórum Social Nordestino em 2004, em Recife (PE), já tinha esse histórico. Assumimos o desafio de contribuir para a construção desse processo que deve ser coletivo mesmo por sua natureza e de convencimento, chamamento, envolvimento das pessoas.