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O Machado já começou a cortar! Kaô Kabecilê

quinta-feira 15 de abril de 2021, por Franklim Peixinho, Franklim Peixinho

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Kaô Kabecilê

Sim... nós temos excentricidades de péssimo gosto acumuladas ao longo da história brasileira, que me parecem ser exceções, por enquanto é o que me aparenta. Figuras estúpidas ou do baixo clero surgem do nada – entenda-se ‘‘nada’’ como esgoto moral e intelectual-, e ganham destaque em algum cenário político. Jânio Quadros seria um exemplo?

Por vezes, indivíduos de torpe espírito, mas habilidosos na conquista e permanência no poder, ao custo da liberdade e vida de pessoas, se mostram como regra neste mesmo cenário do jogo político. Escuto, desde quando corria como um Erê pelas ruas soteropolitanas da Mouraria, sobre um finado conhecido pela sua ‘‘Malvadeza’’, transformada por um jingle político descarado – aquelas músicas chiclete - em ‘‘meu amor’’. Um amor ao povo que ao mesmo tempo ele beijava e açoitava com violência.

Quadro pior é quando estas duas facetas, a estupidez e a ‘‘Malvadeza’’, se encarnam em um indivíduo. E tal como uma pandemia sem controle, nos assusta pelo modo como se irradia pelas mentes, e fazem brotar um mantra negacionista, que milita contra qualquer ousadia de pensamento inteligível, por meio de ataques difamatórios, coléricos e irracionais. É um comportamento que se pauta pela insensibilidade a dor humana, e contra a ideia de humanidade legada no principio ‘‘kantiano’’ de dignidade.

‘‘E daí?’’, continua atual como o ano velho que não se foi, e esta cada vez pior.

Confesso apreensivo pela chegada do ‘’terrivelmente evangélico’’, já que o novato se mostrou pífio em sua função prima facie de fundamentar sua decisão. Em um primeiro momento, ele causou um suspense, ao interromper o julgamento da suspeição do imoral, que expôs a privacidade de uma família e serviu de militante, indevida e ilegalmente, a uma causa anti-petista. Massa... o rapaz do Piauí prendeu o telespectador, tal como numa novela mexicana ou global, provocando uma excitação daquelas que o gênio do terror brasileiro, o lendário Zé do Caixão, causava em ‘‘À meia-moite levarei sua alma’’.

Esperamos todos para no dia seguinte ver um trabalho de cartolina, que nem meu aluno de primeiro semestre teria coragem de apresentar, como fundamentação jurídica na mais alta corte do país.

"Isso não tem a ver com garantismo nem aqui nem no Piauí’’, afirmou um bom garantista de ocasião. Mas concordo com ele, que se esconder num discurso sofista, utilizando o garantismo penal como escudo, é covardia. Porque do outro lado há a liberdade e outros direitos fundamentais do paciente, que fora condenado politicamente, inclusive com aval da alta corte.

Qual o preço a ser pago para uma vergonha e mediocridade dessas? Não te falaram da vitaliciedade? Esperar 26 anos para conhecer quem, se no arriar das malas as meias estão furadas?

Como disse, problema maior é quando a pequenez se junta com a insensibilidade à vida humana. Os terríveis não-cristãos pediram o direito ao templo de braços dados com a morte, e implodiram a igreja a reboque da vida, com o sim do até então pastelão do Piauí. Não é só um pastelão, ele é tão terrível quanto, e olhe que o juiz não-pastor ainda esta por vir.

O direito a liberdade religiosa esta no exercício do culto a divindade em qualquer lugar seguro, para não antecipar a vida eterna.

O que me sustenta é a certeza da justiça que vem do machado de Xangô!

Imagem: montagem Ciranda.net [Nunes Marques, Orixa - Ribs]

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