Página inicial > BRASIL > Maria Beatriz Nascimento e as mulheres pretas da história

Maria Beatriz Nascimento e as mulheres pretas da história

sexta-feira 6 de novembro de 2020, por Franklim Peixinho,

Mulher preta, historiadora, professora e ativista do movimento negro teve uma trajetória inspiradora

‘‘Mas, para Gonçalves, o amor de sua preta Marisa é o suficiente, é a chave da liberdade e a razão de sua felicidade. Eles são o Zumbi e a Dandara daqui do corpo IV da PLB. Na luta para ver seu homem em liberdade, ela tem a mesma força das mulheres negras da nossa história.

Zeferina, Aqualtune e Luíza Mahin, a coragem e a bravura desses personagens femininos se fazem presentes naquela mulher, como também vejo uma lealdade e bravura própria das filhas e filhos de Oyá – creio que seja filha, não sei, mas me parece que sim. Marisa possui uma obstinada vocação para guerrear em favor do seu preto – e de outros pretos também –, que agora está comum sorriso largo e bonito, cujo metal de Ogum o sol mostrava no brilho de sua cor’’.

Este trecho do livro ‘‘Histórias da Casa Verde: Cor, Cárcere e Liberdade’’ ressalta a altivez e protagonismo das mulheres pretas nas lutas em torno dos direitos raciais no Brasil. A postura antirracista se atrela ao combate a outras formas de opressão, que redobra sua incidência sobre a população preta. A violência de gênero no Brasil tem a singularidade étnica, pautada pelo estupro e sequestro da mulher preta e indígena, encarnada na cultura racial do estupro em expressões como ‘‘mulatas tipo exportação’’ e outros fetichismos sexuais racistas.

Além disso, as condições de trabalho são bem mais precárias em relação a mulher preta, e nem se compara com a da mulher branca.

Maria Beatriz, mulher preta, historiadora, professora e ativista do movimento negro teve uma trajetória inspiradora, mesmo com sua morte precoce cometida por um machista agressor, que a assassinou com cinco tiros em 1995, por ela ter incentivado a companheira do homicida a separar-se deste.

Ela, uma sergipana, ainda criança migrou com a família para cidade do Rio de Janeiro, onde se tornou professora e pesquisadora da Cultura Negra.

A história desta professora se confunde com a de várias mulheres pretas, que estiveram apagadas da história, mesmo com papéis de destaque em momento singulares da sociedade brasileira. Dandara, por exemplo, foi uma das líderes do Quilombo dos Palmares, e capitaneou diversas batalhas na defesa do ajuntamento palmarino. Na Bahia, Zeferina organizou e liderou a resistência negra, nas cercanias do solo sagrado e das matas do Parque São Bartolomeu.

Maria Felipa comandou uma surra de cansanção nos soldados portugueses, em 1823, na Ilha de Itaparica, no processo de independência da Bahia.

Aqualtune, Luíza Mahin, Senadora Benedita da Silva, Vereadora Marielle... entre tantas mulheres de terreiro, Yabás encarnadas, pretas da política, da espada e da guerra, precederam e continuaram as pegadas de Maria Beatriz, com a força do Búfalo, das Águas, da Lama do Rio, do Abebé, do Ofá, da Lança e da Espada...

#vidasnegrasimportam
#MariaBeatrizNascimento
##RacismoNao

Imagem: Montagem Ciranda.net (Maria Beatriz do Nascimento, Cartaz filme Ori, desenho Maria Beatriz Nascimento)

Artigos assinados não expressam necessariamente a opinião da Ciranda e são da responsabilidade de seus autores(as).

  1. Confira todas as colunas:

Pedrinha Miudinha com Franklim Peixinho