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Dois ativistas do Fórum Social do Iraque desaparecem em Bagdá

sexta-feira 13 de dezembro de 2019, por , Ciranda.net

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Omar Al-Amri e Salman Al-Mansoori foram presos ou sequestrados em uma missão para comprar tendas e outras necessidades dos manifestantes pacíficos

O Centro de Informações do Iraque para Pesquisa e Desenvolvimento iniciou uma campanha exigindo a libertação imediata de Omar Al-Amri e Salman Al-Mansoori, que foram presos ou sequestrados em uma missão para comprar tendas e outras necessidades dos manifestantes pacíficos na Praça Tahrir, em Bagdá.

Eles saíram de casa na manhã de quarta-feira e foram para o bairro de Kadhmiya para comprar equipamentos para os protestos na Praça Tahrir, mas não chegaram. Os telefones celulares dos dois ativistas foram desligados desde a noite de quarta-feira, acrescentou o repórter da NRT Digital Media, Omed Mohammed.

 "Eles foram presos por uma agência governamental, que os levou a um destino desconhecido, de acordo com as informações que obtivemos" - diz o Centro de Informações em uma ligação, enfatizando sua profunda preocupação com seus colegas.

Trabalhadores do centro e ativistas do movimento do Fórum Social Iraquiano, os dois desaparecidos são manifestantes pacíficos por direitos e mudanças abrangentes que contribuam para melhorar as condições do país.

Segundo o centro, Salman trabalha como ativista ambiental na defesa dos rios iraquianos, dos pântanos e do direito do Iraque de obter sua parcela adequada de água. Omar é um dos ativistas que defendem os direitos humanos, econômicos e sociais, além de atuar na organização da Maratona de Bagdá pela Paz, o evento civil anual.

No início de outubro, manifestantes iraquianos saíram às ruas exigindo o fim da corrupção, melhores serviços públicos e emprego. Dia após dia, os protestos cresceram e deram lugar a uma revolta generalizadas, buscando a derrubada do establishment político do Iraque.

A NRT informou que mais de 400 pessoas foram mortas em Bagdá e províncias do sul. Milhares de pessoas ficaram feridas durante os protestos, já que o governo e "grupos de terceiros" usaram munição real, franco-atiradores e gás lacrimogêneo na tentativa de conter os protestos.

A mídia iraquiana informou na quarta-feira que um conhecido ativista no país, Ali Lami, que era da cidade de Kut, situada no sudeste iraquiano, foi sequestrado e morto na capital, na noite de terça-feira, quando deixou os protestos para voltar para casa.

Outro ativista importante da sociedade civil, Fahem al-Tai, foi morto em um tiroteio em Karbala no final do domingo, também ao voltar para casa após protestos.

Em comunicado, o Centro de Informações do Iraque pede a libertação imediata de Omar Al-Amri e Salman Al-Mansoori, já que são ativistas da paz. O texto também inclui um apelo a outras organizações para que se manifestem e exijam a libertação dos dois desaparecidos:

"Também pedimos às organizações de direitos humanos e defensores dos direitos humanos nacionais e internacionais que se unam a nós para libertar nossos colegas, Omar e Salman"

A nota do centro pedindo solidariedade foi divulgada em árabe e inglês.

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