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A visibilidade que queremos

quarta-feira 29 de agosto de 2012, por Marcia Balades,

Hoje, 29 de agosto, é o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, haverá evento em SP. A visibilidade pode ter múltiplos significados e nós a queremos de várias formas.

Segundo o Dicionário Aurélio visibilidade é a qualidade de visível e visível é que se pode ver, claro, perceptível.

A onda de violência contra a população LGBT nada mais é do que uma forte reação da sociedade conservadora e doente à nossa maior exposição. Esta é a grande diferença entre visibilidade e exposição. Enquanto visibilizar é incluir e garantir direitos, expor é colocar em perigo, arriscar.

A visibilidade pode ter múltiplos significados e nós a queremos de várias formas.

Queremos a visibilidade no atendimento dos serviços de saúde. Quando as mulheres lésbicas vão ao médico ginecologista, elas se sentem constrangidas porque o atendimento é baseado na saúde reprodutiva das mulheres. Isso acaba por afastar ainda mais as lésbicas dos exames preventivos, pois as faz sentirem-se diminuídas. A Liga Brasileira de Lésbicas incluiu na 2ª. Conferência LGBT e na 10ª. Conferência de Políticas para as Mulheres propostas para a alteração de protocolos no atendimento médico de mulheres lésbicas.

Queremos a visibilidade para sermos do nosso jeito, por meio do livre exercício de autonomia que quebra o padrão da heteronormatividade.
Queremos ter visibilidade nas ruas, para podermos apenas andar de mãos dadas como os casais heterossexuais, e não para apanhar na Paulista ou sofrer estupros corretivos. Aqui, temos pouco a comemorar e muito a clamar. Em 24 de agosto último mais duas lésbicas foram assassinadas, em Camaçari na Bahia. Iam andando de mãos dadas pela rua, voltando do trabalho, e foram alvejadas por um atirador de moto, suposto ex-namorado de uma delas. Caíram e morreram no local, lado a lado.

Queremos a visibilidade das liberdades individuais, somos donas de nossos corpos e mentes. Por isso apoiamos a Legalização do Aborto e a Descriminalização da Maconha. Chega de hipocrisia.

Queremos a visibilidade em uma mídia democrática sem domínio do grande capital, que não ridicularize em suas programações, que buscam o riso fácil e inconsciente, as mulheres lésbicas, apresentadas como seres caricatos.

Queremos visibilidade nas pesquisas que fingem que a gente não existe. As lésbicas sofrem discriminação dupla, por serem mulheres e por serem lésbicas. Essa discriminação aumenta quando são negras e pobres. Não há dados disponíveis sobre nossas especificidades, muito menos sobre nossas necessidades.

Queremos a visibilidade para desconstruir o preconceito que nasce na família e se propaga na escola. A evasão escolar é maior entre a população LGBT que abandona a escola por não suportar as diversas humilhações.

Queremos visibilidade no mundo do trabalho para que nossas habilidades sejam consideradas, independente de nossa identidade de gênero.

Queremos visibilidade para fazer frente à bancada fundamentalista nas casas parlamentares, formada principalmente por pessoas religiosas sem escrúpulos que querem negar e ou suprimir direitos. Há tentativas de aprovação de projetos de lei que buscam a “cura” para a população LGBT. Esquecem que o Estado é Laico e para todos e todas. Apesar do legislativo, já percebemos avanços no judiciário como a recente e unânime decisão do STF que reconheceu que temos direito a ter direitos. Com a equiparação da União Homoafetiva à União Estável de Casais Heterossexuais, passamos a ter direito à herança por morte da parceira, acesso aos planos de saúde, adoção e até pensão alimentícia.

Queremos enfim visibilidade com respeito. Podem até não nos compreender e aceitar, mas precisam nos respeitar.

Para que essa visibilidade deixe ser apenas exposição, urge a aprovação do PL 122/06 que altera a Lei 7.716 definindo os crimes resultantes de discriminação por preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. Na prática, a simples alteração dessa lei criminaliza a lesbofobia, a homofobia e a transfobia, a exemplo do racismo.

Não há tempo para esperar que a sociedade se sensibilize e não podemos mais ficar à mercê de seres cruéis que se dizem humanos. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia, de 1983 à 2012, foram assassinadas 109 lésbicas, 13 só em 2012. A maior parte por ex-companheiros. Para transpor a barreira do preconceito, torna-se necessário o reconhecimento da importância da educação para a diversidade sexual nas escolas, contribuindo para a formação humana pautada no respeito e valorização das pessoas diversas.

A Liga Brasileira de Lésbicas é uma organização lésbica feminista que segue lutando pela visibilidade das mulheres lésbicas e bissexuais, até que estejamos literalmente livres de todas as formas de preconceito e opressão.

29 de Agosto - Dia da Visibilidade Lésbica
Exibição de curtas, performance artística e roda de conversa
09:00 Exibição de curtas
18:00 Performace de Yasmin Nóbrega
!8:30 Exibição de curtas e Roda de conversa sobre a visibilidade de mulheres lésbicas na sociedade contemporânea.
Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo USP
Largo São Francisco, 95