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Uma relação humana mundial a ser repensada

sábado 5 de julho de 2014, por Sucena Shkrada Resk,

Número de refugiados aumenta no planeta. Hoje os três maiores campos ficam em Dadaab, no Quênia, seguido por Dollo Ado, na Etiópia e em Kakuma, novamente no Quênia.

Certas notícias têm uma profundidade incômoda, porque mexem com valores culturais, comportamentos diante do diferente, da relação de poder e exigem mudanças nos caminhos da humanidade, um século após o desencadear dos grandes marcos históricos de conflitos mundiais do século XX, como da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Nesta categoria, está o recente relatório Tendências Globais 2013 da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), que registra 51,2 milhões de refugiados no mundo até o final de 2013, total de 6 milhões de pessoas superior ao levantamento de 2012, sendo que a maior parte desse contingente é constituída por cidadãos afegãos, sírios e somalis. Nada tão drástico havia sido visto desde o genocídio em Ruanda, em 1994.

Algumas centenas de milhares estão abrigadas em grandes campos de refugiados, em barracas, onde recebem o mínimo de assistência humanitária. Hoje os três maiores ficam localizados respectivamente em Dadaab, no Quênia, seguido por Dollo Ado, na Etiópia e em Kakuma, novamente no Quênia.

Os maiores deslocamentos atuais, no entanto, ocorrem da Síria, da República Centro-Africana, da República Democrática do Congo, do Sudão do Sul e de Mali. Na América do Sul, o destaque é a Colômbia e entre os principais países acolhedores estão EUA, República Bolivariana da Venezuela e Equador.

Em todas as situações, o desencadeamento desses quadros é o reflexo da ausência de paz, de consolidações de governos democráticos e apresenta cisões históricas, que deixam sequelas por décadas, e de eventos extremos climáticos. E onde são acolhidas a maioria dessas pessoas? De forma geral, no Paquistão, Irã e no Líbano.
No contexto dos eventos climáticos, a seca da Somália extra os conflitos internos, por exemplo, levou 29.100 cidadãos daquele país a procurar refúgio exterior, principalmente na Etiópia (17.700) e no Iêmen (9700). É uma situação desoladora.

Em outro ângulo da configuração desse estado de violência, há os pedidos de asilos, que foram de 1,1 milhão de pessoas globalmente, segundo o Acnur. A maioria dos pedidos foi recebida pela Alemanha, o que configura um novo quadro geopolítico do século XXI. O número de crianças desacompanhadas ou separadas de seus responsáveis em busca de asilo também tem aumentado. Dados provisórios constantes no documento revelam que mais de 25.300 solicitações foram feitas no ano passado.

Difícil retorno para casa

O Relatório Tendências Globais 2013 informa que somente 414.600 refugiados conseguiram regressar de forma praticamente autônoma aos seus países de origem (principalmente República Árabe da Síria, República Democrática do Congo, Iraque e Afeganistão), durante 2013.

A agência da ONU apresentou 93.200 refugiados para reassentamento – em especial de Mianmar (23.500), do Iraque (13.200), da República Democrática do Congo (12.200), da Somália (9.000), e do Butão (7100) - , e onde presta assistência, houve a possibilidade de 1,4 milhão de pessoas retornarem para casa dos 11,7 milhões de assistidos. Esses dados são baseados em informações prestadas por governos, organizações não governamentais (ONGs) e pelo próprio Acnur. Milhares de pessoas ainda necessitam de ajuda, o que infere desde alimentação, roupas, medicamentos, habitação e empregabilidade, além do próprio resgate da auto-estima. Um retrato que demonstra os extremos da humanidade em conflito.

Outros artigos que escrevi a respeito do tema refugiados no Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk:

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