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Seminário em Salvador prepara FSM em Túnis

domingo 25 de janeiro de 2015, por Deborah Moreira,

Além da participação da delegação brasileira, com atividades conjuntas com organizações internacionais, o encontro na Bahia também discutiu a articulação do FSM no Brasil

Pelo menos 600 pessoas participaram ou acompanharam pela internet o “Seminário Fórum Social Mundial Rumo a Túnis”, que terminou sábado (24), na Biblioteca Pública dos Barris, em Salvador (BA). Os números são do Comitê Baiano do FSM, que recebeu 200 participantes inscritos e registrou outros 400 online já no primeiro dia de atividades.

Na manhã de sábado, uma mesa só de mulheres fez um balanço do encontro e relatou os principais debates e propostas. Entre elas, está a de retomar a articulação dos movimentos sociais em torno do FSM no Brasil, independente dos eventos internacionais.

Durante a tarde, seis grupos de trabalho foram formados para debater as questões mais específicas como democratização da comunicação, proposto pelo Fórum Mundial de Mídia Livre (FMML). Na véspera, foi lançada a consulta online sobre o texto da Carta Mundial da Mídia Livre, que fica aberta durante o mês de fevereiro. Outro grupo foi o Direito à Cidade, proposto por movimentos urbanos presentes como o Movimento Passe Livre (MPL). A delegação brasileira, que participará do FSM 2015, de 24 a 28 de março, em Túnis, decidiu também organizar atividades sobre questões raciais, como as reparações ao povo negro, o enfrentamento ao racismo e a xenofobia. Estão ainda previstas mesas sobre mecanismos de participação social na elaboração de políticas públicas, acessibilidade e saúde mental, agenda pós-2015, e participação em uma missão humanitária a Gaza logo após os dias do fórum.

Cultura, política e juventude

Intervenções artístifcas e culturais, com grupos musicais, poesia e contação de histórias, reuniram gerações compartilhando performances entre as mesas temáticas de Salvador. A juventude foi apontada como ausente - inclusive pela juventude participante - no processo recente do FSM. O grupo de hip hop local Nova Saga se apresentou com letras que remetem às questões sociais e raciais. No palco, artistas pediram a valorização do samba em relação ao funk e ao pagode. Do público, puviu-se a reivindicação de espaço para o funk e todas as expressões da periferia também . nas atividades culturais do FSM no Brasil. A preocupação em alcançar a juventude deve ser marca do próximo FSM,na Tunísia, que desde a primeira edição, tenta dar espaço aos participantes dos protestos da primavera árabe, occupies e indignados, aos quais se somam agora os protestos de junho de 2013 no Brasil.

O FSM vai revendo seus processos, incorporando tecnologias digitais, buscando a renovação ediversificação de movimentos e linguagens para afirmar que Outro Mundo é Possível, lema do FSM desde 2001. tamente divers Mas conforme apontaram participantes nos debates de Salvador, não se pode esquecer o que já se aprendeu na caminhada. Na mesa de abertura, Jussara Santana, da Associação Cultural Espiral do Reggae e da Coordenação Nacional das Entidades Negras (Conen), e do Coletivo Baiano do FSM; lembrou da carta de principios do FSM, lançada em 2001, que “é algo sempre importante a ser lido” e relido, destacando o ítem 8 do documento: “O Fórum Social Mundial é um espaço plural e diversificado, não confessional, não governamental e não partidário, que articula de forma descentralizada, em rede, entidades e movimentos engajados em ações concretas, do nível local ao internacional, pela construção de um outro mundo”. Nas palavras de Santana, “o fórum tem o poder de agregar para nos fortalecer, porque um mundo melhor depende muito mais de mim e de você do que de um universo que conspira".

Damien Hazard, da Abong e da organização Vida Brasil, que integra o Comitê Baiano do FSM e o GT Brasileiro Rumo a Túnis, do Conselho Internacional do FSM, também lembrou do inicio do processo que surgiu para ser um contraponto a Davos. .Além da mudança geográfica do evento, que hoje vai se consolidando na região do Magreb-Mashrek, Norte da África, o mundo também mudou. E ai vem a grande pergunta, apontada por ele: "o FSM ainda é capaz de mudar o mundo?" Após falar do panorama político dos últimos anos, marcado por uma sucessão de governos progressistas, ele apontou que não houve mudança no sistema econômico capitalista, Permanece a imposição de regras de austeridade econômica, com redução nos investimentos sociais, como expressam neste momento as medidas tomadas pelo novo governo Dilma de cortar conquistas trabalhistas históricas como o seguro-desemprego. As questões a serem respondidas no processo FSM, de acordo com Hazard: Quais as relações que devemos estabelecer com os governos? Como devem ser as relações entre nós? Como articular as diversas lutas e atuações dos movimentos? O que nos une? Como reforcar o diálogo com os novos movimentos?

Representando o Comitê Organizador Tunisiano, o antropólogo Alaa Talbi fez um breve relato sobre o contexto atual de democratização da Tunísia desde 2010, quando um comerciante tunisiano ateou fogo ao próprio corpo e acabou gerando uma onda de protestos no país. Nações vizinhas também tiveram protestos semelhantes, como no Egito. O movimento, conhecido por Primavera Árabe, derrubou o ditador tunisiano Zine el Abidine Ben Ali, no poder há 23 anos. No ano passado, a população teve eleições diretas para presidente e parlamento, com uma nova constituição. Pela segunda, o país receberá o FSM (a primeira foi em 2013) e aguarda a finalização das inscrições de atividades, até o dia 31 de janeiro próximo. De acordo com Talbi, das mais de 1.700 organizações já inscritas, somente 3% delas são de brasileiros. Por isso, ele fez um pedido às organizações presentes para que paricipem do FSM em seu país porque “os movimentos tunesinos precisam da experiência obtida pelos brasileiros"

Quase 100 entidades participaram do Seminário em Salvador, pela estimativa de Damien Hazard. "Com certeza posso afirmar que o Brasil está bem representado. Há tanto os movimentos mais conhecidos do Fórum como algumas centrais e movimento negro, mas também organizações recém criadas, de base, do interior do país, de pessoas com deficiência, de povos tradicionais e mais urbanas, como o MPL", afirmou.Serviço:

Para saber como participar dp FSM, acesse a página do evento . Inscrições de atividades (apenas por organizações) podem ser feitas por internet até o final do mês.