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Quem está na rua?

terça-feira 18 de junho de 2013, por Gal Souza,

Pelo Brasil afora, milhares manifestaram a perspectiva de uma cidadania ativa desejada em diversos cantos do mundo. Fotos de Alejandra Bruschi.

Estudantes que lutam por uma educação pública gratuita e de qualidade.

Trabalhadores (as) que tem bons salários, porém estão solidários aos moradores em situação de risco, aos desmandos do poder público que insiste em mascarar a realidade.

Trabalhadores (as) que viram seus filhos sendo mortos pela polícia.

Pessoas cansadas de assistir a corrupção secular que assola o país e está presente no cotidiano das cidades, onde se paga caro para circular em precárias condições. Onde se gasta muito para contornar os danos promovidos por práticas políticas desgastadas.

Quem esteve nas ruas nos últimos dias foram mulheres e homens (as) assalariados que utilizam transporte públicos precários e caros para chegar aos locais onde trabalham insatisfeitos. Junto deles, compondo a multidão, trabalhadores (as) desempregados(as) que não tem condições de pagar passagem para ir em busca de um novo emprego.

Trabalhadores (as) que não já podem pagar, porque este ficou mais alto que seu salário.

Trabalhadores (as) que foram removidos (as) de suas casas por causa das obras de “melhoria” para a chegada da Copa e das Olimpíadas.

Trabalhadores (as) que não têm com quem deixar seus filhos e filhas para trabalharem por falta de vagas nas creches e escolas públicas.
Trabalhadores (as) que não têm acesso a saúde, porque esta está a muito tempo sucateada.

Trabalhadores(as) que vêem suas terras sendo invadidas pelo agronegócio e o alimento que chega em sua mesa está contaminado.
Trabalhadores (as) que sobem morros e descem ladeiras todos os dias e nesse percurso são violentados por agentes do estado.

Trabalhadores (as) que não se vêem representados pela grande mídia.
Sem acesso a moradia, a educação, a saúde, a cultura, ao emprego e sem perspectiva.

Hoje, pelo Brasil afora, milhares manifestaram a perspectiva de uma cidadania ativa desejada em diversos cantos do mundo, onde pessoas diferentes se igualam na certeza de fazer das ruas um espaço de construção da mobilização e exercício da pressão por mudanças resultantes em um mundo avesso a exploração.