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Protestos contra a deportação desumana de Guadalupe Garcia

segunda-feira 13 de fevereiro de 2017, por Nika Knight, Common Dreams,

Mãe de dois filhos e residente de Phoenix por mais de 20 anos, foi tirada sem cerimônia de sua família assim que a política de repressão de Trump aos imigrantes começou

Guadalupe García de Rayos, residente há décadas em Phoenix, Arizona e mãe de dois filhos, foi presa e transportada sem cerimônias em uma van do governo norte-americano na quarta-feira (8), em uma das primeiras deportações de um imigrante indocumentado e sem registro de participação em atos de violência, sob a Ordem Executiva anti-imigrante do presidente Donald Trump.

Um repórter local postou fotos do drama emocional vivido pela família, no Twitter:


A polícia, ao final, afastou um manifestante que se agarrava à roda do veículo, prendeu seis pessoas, e a van foi embora. A família de Rayos confirmou que ela foi deportada para Nogales, no México, no dia seguinte (quinta-feira, 9).

Assista a umtrecho do vídeo do protesto, que durou mais de uma hora.

"Estamos vivendo uma nova era agora, uma era de guerra contra os imigrantes", disse o advogado de Rayos, Ray A. Ybarra Maldonado, ao New York Times.

Rayos chamou a atenção das autoridades de Imigração e Alfândega (ICE) em 2008, quando foi descoberta como indocumentada durante uma incursão ordenada pelo ex-xerife anti-imigração, Joe Arpaio, ao parque temático onde ela trabalhava. O Los Angeles Times explica:

Guadalupe Garcia de Rayos, de 36 anos, morava no país desde os 14 anos de idade. Ela foi presa em 2008 durante uma incursão ao seu local de trabalho, ordenada pelo então xerife do condado de Maricopa, Joe Arpaio, no parque de diversões Golfland Sunsplash em Mesa, Arizona, e condenada por roubo de identidade em razão de possuir documentos falsos.

Mãe de dois filhos, ela continuou a viver no Arizona e a se apresentar ao serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) a cada seis meses. Em sua reunião marcada para a manhã de quarta-feira, ela chegou ao escritório de ICE em Phoenix, acompanhada de apoiadores. Mais tarde, um advogado de imigração disse à multidão que Garcia de Rayos havia sido presa.

"Nós todos sabíamos que as coisas poderiam ser diferentes desta vez, com a nova administração", disse Carlos Garcia, diretor do grupo de advocacia Puente Arizona, para o LA Times. "Ela entrou com o advogado e não saiu, foi praticamente tudo o que houve."

O New York Times explicou a diferença entre as políticas de imigração do presidente Barack Obama - que deportou milhões de pessoas, mais do que qualquer presidente da história - e o presidente Donald Trump, que se comprometeu a deportar cinco vezes mais:

Uma prioridade do governo Obama foi deportar pessoas que eram consideradas uma ameaça à segurança pública ou nacional, tinham laços com grupos criminosos, haviam cometido crimes graves ou uma série de delitos. A Sra. Rayos não se enquadrava nesses critérios, razão pela qual ela foi autorizada a permanecer nos Estados Unidos, mesmo depois que um juiz emitiu uma ordem de deportação contra ela em 2013.

Tudo mudou sob o Sr. Trump. Entre as 18 ordens executivas que ele emitiu desde que assumiu o cargo, em 20 de janeiro. há uma que estipula que os imigrantes indocumentados condenados por qualquer crime - e até mesmo aqueles que não foram acusados, mas que se acredita terem cometido" atos que constituam ofensa criminosa condenável "- tornaram-se prioridade para a deportação.

O secretário de Estado do Kansas e ex-conselheiro do Trump, Kris Kobach, também está prometendo estender a ordem executiva de Trump ao nível estadual, e apresentou um projeto de lei que autoriza estados e muniícipios a aplicarem leis federais de imigração e deportarem imigrantes indocumentados. "O queisso faz, basicamente, é estabelecer uma abordagem de terra arrasada para imigrantes neste país", disse Clarissa Martinez, vice-vice-presidente do Conselho Nacional de La Raza, ao portal McClatchy.

"Não é justo que minha mãe seja afastada dos cuidados de minha família", disse Jacqueline, filha de Rayos, de 14 anos, em um comunicado nesta quarta-feira. "Trabalhar não deve ser um crime ... Eu não tenho medo de [Trump], eu vou continuar lutando para ter justiça e minha mãe de volta".

Os apoiadores da família também estão se manifestando e exigindo justiça para Rayos no Twitter sob a hashtag #GuadalupeGarcia.

Traduzido do inglês por Ciranda


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