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Ecoar o grito dos palestinos

domingo 1º de março de 2009, por ,

Foto: Aline Baker

O Dia da Terra palestino - 30 de março - deverá concentrar as mobilizações ao redor do mundo em defesa do direito inalienável à autodeterminação do povo que vive há mais de 60 anos sob ocupação. A data foi aprovada na Assembléia Palestina, realizada em 31 de janeiro, durante o Fórum Social Mundial. Acompanha agenda da Semana de Ação Global - de 28 de março a 4 de abril - definida pelos movimentos sociais também no FSM, em plenária, a qual englobará as diversas reivindicações e protestos contra o sistema capitalista mundial e o imperialismo.

No dia 30 de março, será dada ênfase à campanha por BDS (boicotes, desinvestimento e sanções) a Israel e, no caso brasileiro, contra a ratificação pelo Congresso Nacional do TLC (Tratado de Livre Comércio) entre o Estado sionista e o Mercosul (Mercado Comum do Sul). O acordo em questão já foi assinado pelos países integrantes desse bloco e chegou ao Parlamento brasileiro em 24 de outubro último. A luta agora é para barrar sua aprovação nesse espaço. Tal aval legitimaria uma ocupação ilegal, conforme reconhece a ONU (Organização das Nações Unidas). Inclusive porque o TLC abrange produtos de assentamentos irregularmente instalados em territórios palestinos. Também não se pode admitir tratado com um estado que desrespeita os direitos humanos e todas as convenções e leis internacionais, como é o caso de Israel, destacam ativistas.

O apelo por BDS foi feito pela sociedade civil palestina e culminou com a formação de um comitê nacional, intitulado BNC (Palestinian Boycott, Divestment and Sanctions National Committee). Esse inclui todos os movimentos e forças políticas que atuam na Palestina, portanto, constitui-se em espaço amplo e representativo no território ocupado da Cisjordânia. E reflete importante unidade em defesa da causa palestina. Assim, tem se tornado referência às lutas dos movimentos sociais ao redor do mundo. A campanha iniciada a partir de chamado da sociedade palestina inclui o boicote a produtos estadunidenses e israelenses; o desinvestimento por parte de governos e instituições diversas, com o rompimento de contratos e acordos com empresas e mesmo universidades que apoiem a investida sionista; e sanções aos crimes contra a humanidade cometidos pela ocupação sionista, a exemplo dos massacres ocorridos recentemente em Gaza.

O Dia da Terra palestino

A data marca homenagem à resistência de palestinos que protestavam contra a ocupação de suas terras por Israel na Galiléia, no dia 30 de março de 1976. O exército israelense reprimiu violentamente a manifestação, atingindo de forma indiscriminada homens, mulheres e crianças. Como resultado, seis palestinos foram assassinados e centenas deles ficaram feridos ou foram presos.

O Dia da Terra é simbolizado pela oliveira, árvore típica da costa mediterrânea, onde se situa o território ocupado. Por ocasião da sua passagem, neste ano, ativistas de todo o mundo ecoarão as vozes dos palestinos, por justiça.