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De volta à prisão

quarta-feira 26 de abril de 2017, por Rita Freire,

Supremo pôs fim ao escárnio representado pela liberdade concedida ao goleiro Bruno e ao show de impunidade que foi a volta do réu confesso do brutal assassinato de Elisa Samúdio (foto) aos campos de futebol

A liminar que concedia liberdade ao assassino confesso de Eliza Samúdio, o goleiro Bruno Fernandes de Souza, foi finalmente revogada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (25). Com isso, o jogador que havia sido readmitido pelo Boa Esporte Clube, volta imediatamente à prisão, pondo fim a um período de perplexidade.com o descaso da Justiça a um feminicídio de grande repercussão pelo grau de frieza e crueldade com que foi praticado.

Já na decretação de prisão preventiva do acusado, em agosto de 2010 a juiza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues considerava indiscutível que “os crimes descritos nestes autos causam extremo temor no seio da sociedade, não podendo o Poder Judiciário fechar os olhos a esta realidade, de modo que a paz social deve ser preservadal”, escreveu a juíza.

Em março de 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão, pelo Tribunal do Júri da Comarca de Contagem, em Minas Gerais, por homicídio triplamente qualificado, entre outros crimes envolvidos no assassinato da mãe de seu filho,Eliza Samúdio. A defesa entrou com uma série de recursos, ainda em tramitação.

Após a morte do ministro relator do caso, Teori Zavaski, em janeiro, o processo fol remetido para Marco Aurélio, que concedeu a liminar de habeas corpus considerando o longo tempo de prisão em que o jogador permaneceu sem um julgamento de segunda instância. Antes da prisão preventiva, Bruno teve prisão temporária decretada, somando, em fevereiro último, seis anos e sete meses preso.

A libertação do réu confesso, recontratado pelo Boa e que passou a ser fotografado dando autógrafos, atingiu o senso de Justiça embrionário no País em relação aos feminicídios - crime tornado hediondo por lei em 2015 - e provocou reações indignadas nas redes sociais. A mãe de Eliza Samúdio, Sônia Moura, se disse chocada e assustada. O assassino de sua filha saiu sorrindo da prisão.

Em retaliação, a página do Boa Esporte foi hackeada em 12 de março e substituida por mensagem para lembrar a quantidade de feminicídios no Brasil e lista com os nomes dos patrocinadores do time.

Imagem do site hackeado

Com a ocupação da cadeira de Teori Zavaski pelo ministro Alexandre de Moraes, que herdou as causas do antecessor, a relatoria lhe foi transferida e ele orientou a Corte pela suspensão da liminar. Moraes negou a inércia do Judiciário diante de um caso complexo, com muitos recursos.

Sônia, mãe de Eliza, não acredita que Bruno vá cumprir os 22 anos de sua pena. Mas disse ter sentido um alívio, com a revogação do show de impunidade que foi sua soltura e reestreia nos campos de futebol.

Sônia, mãe de Eliza: alívio e descrença.