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Ativistas defendem fortalecimento da comunicação pública para enfrentar a mídia tradicional

domingo 24 de janeiro de 2016, por Jaqueline Silveira,

Ativistas pela democratização da comunicação participaram de uma mesa sobre o tema convergências na noite de quinta-feira

Foto: Joana Berwanger/Sul21

A comunicação foi o tema central de uma das atividades da noite de quinta-feira (21) do Fórum Social Mundial Temático, que se encerra no próximo sábado (23), em Porto Alegre. A mesa de convergência “Mídia, Ideologia, Educação e Poder – A luta contra o monopólio da mídia e a reforma do Estado” reuniu ativistas dos direitos humanos e pela democratização da comunicação.

A comunicação, defendeu o Secretário Especial dos Direitos Humanos do governo federal, Rogério Sotilli, tem de ser abordada do ponto de vista dos direitos humanos, o que não ocorre atualmente. “Os direitos humanos são o principal alvo dos ataques da mídia”, avaliou ele.

Sotilli questionou qual o impacto da mídia discutir a redução da maioridade penal e expor jovens e adolescentes na televisão “como bandidos”, bem como a juventude negra da periferia. “A mídia é constituinte da luta política da sociedade que queremos construir. Então, sugiro uma reflexão: a quem interessa a criminalização da esquerda? A quem interessa a desqualificação e a criminalização dos movimentos sociais?”, provocou o secretário Especial dos Direitos Humanos. Para finalizar, Sotilli afirmou que “Não existe direitos humanos sem democracia” e nem o contrário.

A exemplo de Sotilli, a coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNCD), Rosane Bertotti, pregou que a comunicação deveria ser vista “como direito humano” e também um serviço público. No cenário atual, conforme ela, há um fortalecimento do sistema de comunicação privado ligado aos “governos de direita.” Na avaliação de Rosane, o Big Brother Brasil, o BBB, exibido pela Rede Globo, é “um desrespeito à sociedade brasileira e à dignidade” ao “defender o racismo.”

A coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação criticou o fato de a “mídia negar o contraditório” e, ao mesmo tempo, se posicionar contra o direito de resposta por considerar uma afronta à liberdade de expressão. “Nenhum direito está acima do direito humano”, argumentou Rosane. Para reverter esse quadro, ela sugeriu o fortalecimento da estrutura das rádios comunitárias e da comunicação pública.

Do Fórum Mundial de Mídia Livre, Rita Freire disse que, apesar de um governo democrático, ele não enfrentou o tema da regulação da mídia no Brasil. Hoje, observou ela, não há espaço nos veículos de comunicação tradicionais para a participação, por exemplo, de cidadãos que organizam protestos fazer uma reflexão. Rita também defendeu mais investimentos na comunicação pública “para travar a luta política” com as mídias tracionais.

Vice-presidente nacional do PCdoB, Walter Sorrentino focou sua manifestação no poder e defendeu reformas estruturais para o país. Há, na sua avaliação, “um débito no Brasil” de grandes consequências dos governos progressistas pelo fato de terem emergido de ambiente conservador. Sorrentino exemplificou que nos 13 anos do governo petista foi possível reduzir a desigualdade social e redistribuir melhor a renda, mas, ao mesmo tempo, não avançou nas reformas estruturais necessárias. “O governo parece bipolar”, comentou o comunista.

Reformas estruturais

O representante do PCdoB fez críticas à reforma do Estado realizada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Houve um desmonte do Estado voltado a um projeto nacional”, afirmou Sorrentino. O Brasil, pregou ele, precisa com urgência fazer as reformas estruturais, como a tributária, para tornar o Estado mais eficiente e ter condições se desenvolver.


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