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A retrospectiva explícita de 2016 no prêmio da Istoé

quarta-feira 7 de dezembro de 2016, por Eliane Gonçalves,

Nada como uma tradicional celebração de final de ano para fazer uma releitura, um balanço do que se passou. A premiação da Istoé, na noite dessa terça-feira (06/12) em São Paulo, que escolheu Michel Temer como “Brasileiro do Ano”, foi isso: uma síntese de 2016. O animado convescote entre Moro e Aécio foi apenas a cereja do bolo de uma festa explícita que mostrou quem celebra o quê e com quem.

Acompanhei a festa de premiação como repórter, no chiqueirinho que costuma ser reservado aos jornalistas, enquanto os convidados espalhados em mesas tomavam champanhe e apreciavam os acepipes do buffet contratado pela revista. Ali do cantinho, presenciei momentos explícitos (para não dizer pornográficos) do ano de 2016. Veja a síntese de 2016, na festa da Istoé em nove passos:

1. O ano foi para brasileiros. Assim mesmo, com "O". Entre os escolhidos para a homenagem da Istoé só havia duas mulheres, a global Grazi Massafera e a funkeira Ludmilla. Qualquer semelhança com a foto de Temer e seus ministros no dia da posse não é mera coincidência. Não pude deixar de lembrar do outro extremo, a capa da Istoé na edição de 6 de abril, quando a foto de Dilma Roussef torcendo para a seleção brasileira na Copa de 2014 foi usada para ilustrar uma matéria sobre os “destemperos” da então presidenta.


“A capa da Istoé e...”
“... a posse de Temer...”

“... e os brasileiros do ano”

2. Não basta ser homem, tem que ser branco. E, de novo, o contraste. A presença de não-brancos no palco ficou restrita, mais uma vez à Ludmilla e ao medalhista olímpico, Izaquias Queiroz, do remo (que, diga-se, um nome que merece mesmo ser homenageado).

3. A vitória da política da não-política. João Dória, o prefeito eleito de São Paulo, que ganhou as eleições se apresentando como empresário bem sucedido e não como político, ganhou o troféu de Político do ano. Nada como dar nome aos bois.

4. No país em que a educação é pra quem pode - como deixou claro o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), aquele que disse que faculdade é para quem tem dinheiro para pagar-, natural que Rodrigo Galindo, o tubarão da educação, dono de um dos maiores conglomerados de faculdades privadas do País, levasse o troféu da Educação.

5. Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, levou o prêmio de empreendedor do ano, o maior da área econômica. Fiquei pensando no empreendedorismo do ministro que encabeça a maior política recessiva dos últimos tempos com o congelamento de gastos para todas as áreas do governo, exceto, o pagamento de juros. No final, achei bastante coerente: como além de ministro, Meirelles é banqueiro, nada mais adequado que ele levar o troféu pra casa.

6. 2016 foi bastante produtivo para as grandes empresas de mídia, o poder judiciário e os políticos derrotados nas últimas quatro eleições presidenciais. Alguém estranha que estivessem no mesmo palco os últimos três candidatos do PSDB à presidência da república, todos derrotados: Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves? O novo super-herói nacional, nossa mistura de Lanterna Verde com Super Homem, o juiz Sérgio Moro? E os diretores de uma das maiores empresas “jornalísticas” do país? Nas palavras de Caco Alzugaray, presidente da Istoé: “estamos no que parece ser as dores do parto de uma nova nação. Se não totalmente livre de seu maior mal histórico, pelo menos, avançando a largos passos nessa direção”. Se você acha que tá mais para aborto, azar o seu.

7. Há muito a confraternizar. E nada mais ilustrativo dessa confraternização que o convescote animado do juiz Sérgio Moro, o brasileiro do ano na Justiça, com o político mais citado na Operação Lava-Jato, Aécio Neves, que tava lá só para entregar um troféu, mas virou um dos protagonistas da noite depois do registro genial de Diego Padgurschi, da Folhapress. Imagem que não carece de legendas. Uma síntese perfeita de 2016 e que, claro, foi parar nos Trending Topics:



(Pausa para minha própria homenagem: Internet eu te amo!)

8. Para coroar o balanço de 2016, ele, o vice figurativo que virou presidente, que está em listas e delações da Lava-Jato, aquele que “é o Cunha” e que e ressuscitou a mesóclise, Michel Temer, ficou com o prêmio máximo, o de Brasileiro do Ano. Troco meus comentários pelos memes que salvaram minha noite depois de uma das coberturas mais esclarecedoras que fiz em minha vida como repórter:

Primeiro o Twitter da @Istoé:

Na sequência, as trollagens da rede:


9. Por último, terminada a festança, me lembro de um detalhe: 2016 ainda não acabou.