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A comunicação no centro da estratégia por democracia

quinta-feira 25 de maio de 2017, por Rita Freire,

Para o FNDC, que realiza seu Encontro Nacional pela Democratização da Comunicação, nada vai avançar sem uma agenda de enfrentamento ao monopólio midiático

Um dos mais importantes encontros brasileiro sobre os rumos da mídia no país, desde a 1 Conferência Nacional de Comunicação ( 1ª Confecom, em 2009), será instalado nesta sexta-feira em Brasília, com o ato público de abertura do do 3º Encontro Nacional pela Democratização da Comunicação ( ENDC). Para lá se dirigem hoje midiativistas das várias regiões brasileiras, muitos em caravanas de ônibus atravessando estados.

O evento organizado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) olhará de frente para o papel que os grandes meios de comunicação estão cumprindo na promoção e agravamento da crise política brasileira e na campanha orquestrada pela retirada de direitos em nome de uma pretensa salvação econômica das elites. Não é à toa que nesse encontro de comunicadores(as) estarão representadas as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e centrais sindicaiscomo a CUT e a CTB, cujas pautas urgentes são o enfrentamento às reformas do governo Temer e a defesa da democracia.

Mais que um diagnóstico dos interesses e manipulações, o encontro debaterá também os fatores que permitiram às corporações de mídia acumularem mais poder sobre os rumos do país do que a vontade das urnas e as próprias instituições democráticas. A denúncia e a resistência, que vem sendo construída nos últimos anos, agora se avoluma e já se transforma em assunto fora das rodas de especialistas. A sociedade brasileira está mais interessada.

A mídia dona da política e os políticos que são donos de mídia, o monopólio do setor e o ataque aos direitos trabalhistas e previdenciários são temas de paineis já na manhã de sábado, e não esgotam os problemas que os setores preocupados com a democracia nas comunicações precisarão enfrentar. São exemplos a asfixia das mídias alternativas, inclusive com o corte das parcas verbas publicitárias para as pequenas, por razões ideológicas, e a histórica repressão às rádios comunitárias.

A internet, onde as liberdades estão ameaçadas por interesses corporativos, e a economia na área de telecomunicações, em franca desnacionalização reunirão especialistas de referência na área como Marcos Dantas e Flávia Lefevre, vindos do Comitê Gestor da Internet e o pesquisador Murilo Ramos, entre outros.

Murilo é um dos cinco ex-conselheiros(as) da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) que ocuparão diferentes mesas. O desmonte da EBC – primeira medida de Temer após o impeachment de Dilma, cassando o Conselho Curador - é um dos temas em debate, mas em outras mesas discutirão as pautas que até pouco tempo atrás ditavam os debates pela diversidade de conteúdos na mídia pública: combate ao racismo, à lgbtfobia, defesa da democracia na internet.

A preparação do ENDC carrega uma proposta ousada, de situar a luta da comunicação no centro das lutas por democracia. Para o FNDC, nada avançará sem “uma agenda de enfrentamento ao oligopólio midiático, à censura (pública e privada) da liberdade de expressão, o cerceamento da livre manifestação, entre outras violências graves e abomináveis”. Construir essa agenda é o propósito do ENDC e um desafio a conferir no dia 28, com os resultados do encontro.

Pela manhã do último dia, uma conferễncia sobre regulação da mídia e democracia reunirá a coordenadora do FNDC e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Renata Mieli, a jornalista mexicana, coordenadora do Observatório Latino-americano de Regulação, Meios e Convergência (Observacom), Aleida Calleja, o professor e pesquisador da Universidade Federal de Sergipe (UFS), César Bolaño, e a jornalista e professora | ex-defensora do público pela Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual da Argentina, Cynthia Ottaviano.

Ao final, será aberta a 20ª Plenária Nacional do FNDC, com aprovação da Carta de Brasília. O documento deve orientar as estratégias da comunicação – lutas e ações – já para este período de turbulência no País.

O ENDC será realizado no Anfiteatro 9( ICC Sul), Campus Darcy Ribeiro, da Universidade de Brasília (UnB)